Outro dia estava falando com a Simone no telefone e fazendo um resumo dos últimos acontecimentos da minha vida de dezembro para cá. Quando desliguei o telefone, queria pular da janela e ficar lá deitadinha, apagada, como o passarinho depois de bater com a cabeca na janela.
Eu estou bem, eu me sinto bem, mas confesso que nao sei porque. Queria ainda ter a forca dos meus 18 anos, entrar no quarto e chorar por uma semana, com as luzes apagadas... Mas tem o Norman, que chega todo dia as 18 horas com esse sorriso maldito e essa enorme vontade de me fazer sorrir. Ele nao pode me ver mais caidinha: encara o palhaco que existe dentro dele e faz meu mundo ficar leve...
Vê, a culpa é dele... Por que na verdade, meu mundo caiu!
Eu queria também ligar para meus amigos, chorando, pedir socorro... Mas chega um momento da vida que você percebe que as decisoes sao só suas e que ver os amigos é extremamente prazeroso, mas que nada do que eles facam vai te ajudar a fugir da raia.
Claro, novamente, quando encontro (ou ligo) para meus amigos, eles vem com sorrisos e elogios e sorvetes e cafés. Me fazem ver tantas coisas positivas na minha vida e em mim, que outra vez, a vida fica leve.
Vê, a culpa é deles... Por que na verdade, meu mundo caiu!
Mas pesando a realidade dura... Eu estou de saco cheio. Doente desde outubro, enfrentanto crises de dor de cabeca, dormindo mal, respirando mal... enfrentando, médicos desinteressados e curas superficiais... Agora veio a história do dente... Desde o ano passado brigando com as burocracias de visto, de faculdade, de USP, de UNI Essen... De Departamento de Estrangeiro, de taxa de televisao... Estou preocupada com meus pais, com os telefonemas forjando sequestro, com a pessoa que sabe a senha da minha mae e usa o Skype dela. Com a loja, com o tanto que meu pai tem que trabalhar, com a dificuldade de ganhar o salário dele de todo mês... Estou com saudades da minha vó.
12 março, 2009
25 fevereiro, 2009
A vida nao para nao, nao para nao, nao para...
Outro dia estava conversando com meu novo aluno sobre a vida, um cara muito descolado, muito legal mesmo (meio doido, claro, pr`eu gostar assi...) e já nos seus cinquenta e poucos e uma neta. Enfim, a tal da empresa onde ele trabalha comecou a receber contratos "no estrangeiro" e ele, como encarregado, tem que ir aonde Deus, ou melhor, o trabalho mandar. Só para organizar essa história, a empresa é alema, ele é alemao e precisam se comunicar com os trabalhadores que vao gerenciar por aí, por isso, ele tem que aprender inglês com euzinha'qui.
Agora, se você ainda nao pois os pingos nos IIIIIIIIIIssssss: 50 e muitos, curtindo a neta, clima de quase parando e BUM! reviravolta!
Mas tudo isso nao seria o fim do mundo se ele estivesse indo para os Estados Unidos, Australia, Canada ou qualquer lugar onde ingês de fato o ajudaria. Na semana passada mandaram ele para o Ira. Preciso dizer que o inglês que eu ensinei nem vai ajudar muito?
Ele me resumiu tudo isso aí com um ditado popular alemao: "O burro fica velho, mas tem sempre que carregar mais nas costas!"
A vida nao para e nao adianta ficar esperando ela parar para comecar, nao é conselho de canal de televisao ou de livro de auto ajuda, nem é nada especial, tudo isso é fato, é assim mesmo, nao tem jeito.
Eu, por exemplo, estava rezando para as que as provas acabassem, para ter sossego e cuidar de umas coisas pendentes... As provas acabaram e eu fiquei doente, e nao é doentizinha nao, problemaco; essa foi a primeira noite em duas semanas que consigui dormir uma noite inteira.
Fui trabalhar, estou na facu, peguei os livros de latim, vou trabalhar de novo! Estou ainda um pouco surda, com ouvidos tinindo, pulmoes atacados, dor de cabeca... Mas a vida nao para, vamo que vamo!
Agora, se você ainda nao pois os pingos nos IIIIIIIIIIssssss: 50 e muitos, curtindo a neta, clima de quase parando e BUM! reviravolta!
Mas tudo isso nao seria o fim do mundo se ele estivesse indo para os Estados Unidos, Australia, Canada ou qualquer lugar onde ingês de fato o ajudaria. Na semana passada mandaram ele para o Ira. Preciso dizer que o inglês que eu ensinei nem vai ajudar muito?
Ele me resumiu tudo isso aí com um ditado popular alemao: "O burro fica velho, mas tem sempre que carregar mais nas costas!"
A vida nao para e nao adianta ficar esperando ela parar para comecar, nao é conselho de canal de televisao ou de livro de auto ajuda, nem é nada especial, tudo isso é fato, é assim mesmo, nao tem jeito.
Eu, por exemplo, estava rezando para as que as provas acabassem, para ter sossego e cuidar de umas coisas pendentes... As provas acabaram e eu fiquei doente, e nao é doentizinha nao, problemaco; essa foi a primeira noite em duas semanas que consigui dormir uma noite inteira.
Fui trabalhar, estou na facu, peguei os livros de latim, vou trabalhar de novo! Estou ainda um pouco surda, com ouvidos tinindo, pulmoes atacados, dor de cabeca... Mas a vida nao para, vamo que vamo!
21 janeiro, 2009
Pesadelo
Essa noite tive mais um daqueles pesadelos, com os quais acordo suada, parecendo ter lutado a noite toda.
Por quase um ano eu me debati com a Lúcia e era fácil definir: pesadelos doloridos, a tentativa - ou a única maneira - de trabalhar as tristezas profundas que aquela mulher encravou em mim. Eles foram diminuindo de frequência, mas nao desapareciam por completo e, vira e mexe, lá estava ela de novo com seu sinismo, seu egoísmo, suas afirmacoes absurdas... Novamente entrando na minha vida, dominando meu cotidiano, me mantendo presa em sua rotina maluca! E eu me perguntando, quando, meu Deus, isso acaba.
Talvez, assim como só se cura um amor perdido com outro, uma dor perdida, só se cure com outra. No fim de 2008 a morte da minha avó me trouxe a dor mais forte, a que eu jamais imaginaria que ia sentir. Foi em um sábado, meu pai me disse que ela tinha entrado em coma. Eu já sabia e tanto já sabia e tanto já sentia, nao haveria volta. Nao houve choro, grito ou estremecimento que pode aliviar a punhalada que sentia no peito... Como agora nao há, como agora a dor ainda está aqui.
O Norman me disse que também se sentiu assim quando seu avô morreu e que o sofrimento se tornará menos frequente, mas que nunca desaparecerá. E assim comecou uma nova série de pesadelos na minha vida, que dessa vez poderiam até ser sonhos, porque nao? Antes tê-la de alguma forma junto de mim. E eu adormeco.
Minha mae me liga dizendo estar apavorada, que haviam dito para ela que a vovó tinha falecido, que meu pai havia dito isso para ela, mas que quando ela chegou em casa, a vovó estava lá, tinha vindo para jantar. Nesse momento vejo a imagem da minha avó, sentada na mesa do fundo, mas que olhos sao aqueles? Que olhos vidrados sao aqueles? Que pele? Que...? Engulo seco...
Escuto pancadas na porta, uma voz atormentada grita meu nome e diz que quer entrar, que eu tinha que abrir, que ela vinha me visitar... Minha mae ainda está na linha e me diz para nao abrir, aquela nao é a minha avó, a vó que eu conheci...
Fizeram um experimento no hospital, que se faz agora com pessoas que estao em coma, arranca-se as unhas do pé e injeta-se oxigênio por cada poro. O oxigênio chega entao no cerébro e reanima a pessoa. Só que ainda nao conseguem entender o que acontece com a personalidade deles... Eles nunca mais estarao de volta por completo.
Por quase um ano eu me debati com a Lúcia e era fácil definir: pesadelos doloridos, a tentativa - ou a única maneira - de trabalhar as tristezas profundas que aquela mulher encravou em mim. Eles foram diminuindo de frequência, mas nao desapareciam por completo e, vira e mexe, lá estava ela de novo com seu sinismo, seu egoísmo, suas afirmacoes absurdas... Novamente entrando na minha vida, dominando meu cotidiano, me mantendo presa em sua rotina maluca! E eu me perguntando, quando, meu Deus, isso acaba.
Talvez, assim como só se cura um amor perdido com outro, uma dor perdida, só se cure com outra. No fim de 2008 a morte da minha avó me trouxe a dor mais forte, a que eu jamais imaginaria que ia sentir. Foi em um sábado, meu pai me disse que ela tinha entrado em coma. Eu já sabia e tanto já sabia e tanto já sentia, nao haveria volta. Nao houve choro, grito ou estremecimento que pode aliviar a punhalada que sentia no peito... Como agora nao há, como agora a dor ainda está aqui.
O Norman me disse que também se sentiu assim quando seu avô morreu e que o sofrimento se tornará menos frequente, mas que nunca desaparecerá. E assim comecou uma nova série de pesadelos na minha vida, que dessa vez poderiam até ser sonhos, porque nao? Antes tê-la de alguma forma junto de mim. E eu adormeco.
Minha mae me liga dizendo estar apavorada, que haviam dito para ela que a vovó tinha falecido, que meu pai havia dito isso para ela, mas que quando ela chegou em casa, a vovó estava lá, tinha vindo para jantar. Nesse momento vejo a imagem da minha avó, sentada na mesa do fundo, mas que olhos sao aqueles? Que olhos vidrados sao aqueles? Que pele? Que...? Engulo seco...
Escuto pancadas na porta, uma voz atormentada grita meu nome e diz que quer entrar, que eu tinha que abrir, que ela vinha me visitar... Minha mae ainda está na linha e me diz para nao abrir, aquela nao é a minha avó, a vó que eu conheci...
Fizeram um experimento no hospital, que se faz agora com pessoas que estao em coma, arranca-se as unhas do pé e injeta-se oxigênio por cada poro. O oxigênio chega entao no cerébro e reanima a pessoa. Só que ainda nao conseguem entender o que acontece com a personalidade deles... Eles nunca mais estarao de volta por completo.
I'm sensitive by Jewel
I was thinking that I might fly today
Just to disprove all the things you say
It doesn't take a talent to be mean
Your words can crush things that are unseen
So please be careful with me,
I'm sensitive
And I'd like to stay that way.
You always tell me that is impossible
To be respected and be a girl
Why's it gotta be so complicated?Why you gotta tell me if I'm hated?
So please be careful with me,
I'm sensitive
And I'd like to stay that way.
I was thinking that it might do some good
If we robbed the cynics and took all their food
That way what they believe will have taken place
And we can give it to people who have some faith
So please be careful with me,
I'm sensitive
And I'd like to stay that way.
I have this theory that if we're told we're bad
Then that's the only idea we'll ever have
But maybe if we are surrounded in beauty
Someday we will become what we see
'Cause anyone can start a conflictit
it's harder yet to disregard it
I'd rather see the world from another angle
We are everyday angels
Be careful with me 'cause I'd like to stay that way
Estive pensando em voar hoje
Só para provar que tudo o que você diz nao é verdade
Nao é preciso ter talento para ser ruim
Suas palavras podem destruir até mesmo o que você nao ve
Por tanto, me trate com cuidado
Eu sou sensível
E gostaria de continuar sendo assim
Você sempre me diz que é impossível
Ser respeita e ser uma garota
Porque tem que ser tao complicado? Porque você precisa me dizer se sou odiada?
Por tanto, me trate com cuidado
Eu sou sensível
E gostaria de continuar sendo assim
Eu estava pensando se nao serai bom
Se roubassemos os pessimistas e levássemos toda a sua comida
Entao tudo em que eles acreditam aconteceria
E poderiamos dar tudo àqueles que tem fé
Por tanto, me trate com cuidado
Eu sou sensível
E gostaria de continuar sendo assim
Eu tenho essa crenca de que se nos é sempre dito que somos maus
Essa será sempre a única imagem que teremos
Mas, talvez, se estivermos rodeados pela beleza
Um dia nos transformaremos naquilo que vemos
Porque qualquer um pode comecar um conflito
E é ainda mais difícil deixá-los passar
Eu preferiria ver o mundo por um outro ângulo
Nós somos os anjos de cada dia
Tenha cuidado comigo, porque eu gostaria de continuar assim
16 novembro, 2008
Eu nao gosto de cerimônias.
E descerimoniosa que sou
tendo que fazer cerimônias.
É aporrinhamento
demais na cabeca.
E o pássaro morreu
aporrinhando a própria cabeca
no vidro limpo
na minha janela.
A vizinha chamou a polícia
para buscá-lo.
Eu subi na bicicleta,
vai que eles canculassem
ângulos
medidas
e me descobrissem assassina.
Quando voltei,
haviam recolhido o corpo.
Ele era lindo
exótico
incomum.
Diferente daqueles que nascem
nessa regiao, disse ela.
Mas nao pode distinguir
o vidro transparente
que o matou
da minha janela.
E descerimoniosa que sou
tendo que fazer cerimônias.
É aporrinhamento
demais na cabeca.
E o pássaro morreu
aporrinhando a própria cabeca
no vidro limpo
na minha janela.
A vizinha chamou a polícia
para buscá-lo.
Eu subi na bicicleta,
vai que eles canculassem
ângulos
medidas
e me descobrissem assassina.
Quando voltei,
haviam recolhido o corpo.
Ele era lindo
exótico
incomum.
Diferente daqueles que nascem
nessa regiao, disse ela.
Mas nao pode distinguir
o vidro transparente
que o matou
da minha janela.
05 novembro, 2008
"Justificativa para o egoísmo humano e a consequente solidao"
Nao há como negar que praticamente todo ser humano é essencialmente egoísta - sempre evitando as generalizacoes, afinal se procurarmos bem, muito bem aliás, encontramos, cá e lá, exemplos mágicos na humanidade. Enfim, nao me excluo do grupo, sou um ser humano, sou egoísta também. Mas, pelo menos, tento praticar meu altruísmo muito mais do que a maior parte dos seres com os quais me deparo.
O primeiro sinal desse egoísmo-humano é a incapacidade de entender que o espaco ocupado, entenda-se ruas, pontos de onibus, bares, etc., é dividido: também ocupado por outros seres humanos. Consequentemente, nem sempre todos dividem os mesmos gostos musicais, alimentares e vícios.
Um bom exemplo é a revolta geral que a proibicao do cigarro em lugares públicos tem causado! Por que meu santo, eu tenho que fumar com os outros? É uma questao física, o fumante nao pode controlar a fumacinha maligna que sai da bituca do cigarro, nao adianta pedir para ela ficar pertinho dele e nao penetrar as narinas do vizinho... Entao, o jeito é entender que a fumaca vai ter que ser produzida em lugares isolados, ponto. Outra razao é o maldito costume que TODO fumante tem - agora usando uma generalizao facilmente comprovada ao se observar um deles - de jogar as bitucas no CHAO em QUALQUER LUGAR onde eles tenham terminado ou tenham que interromper o processo "fumatório". Falta de senso, falta de educacao, sei lá.
A outra coisa que me irrita - e sempre me irritou desde os velhos tempos de convivência com amigos em pequenso espacos, como o CRUSP - é a utilizacao de desculpas para se esquivar da manutencao do espaco comum. O espaco comum é sempre deixado para depois, porque existem coisas pessoais que sao priorizadas - outra generalizacao muito facilmente comprovada. E as desculpas! Elas sao o maior sinal do egocentrismo e da falta da percepcao do outro. Em moradias estudantis, um estudante sempre deixa de fazer sua parte por que tem que estudar, tem um monte de coisa para estudar... E os outros estudantes que moram com ele e que tem um monte de coisas para estudar e que, ainda assim, entendem que as outras pessoas que dividem o espaco com ele nao tem necessariamente que arcar com as consequências da sua sujeira e das suas atividades.
E, agora, que moro com o meu namorado, vejo que esse tipo de atitude nao é exclusividade dos moradores de repúblicas. Tenho trabalhado duramente para conter o meu maior defeito: a desorganizacao. Afinal, ele nao tem nada a ver com o fato de que eu nao consigo usar uma coisa e devolvê-la ao seu lugar e com a consequência desse fato: montanhas de coisas pelo chao, pelo guardaroupa, pelas mesas. Enfim, fácil nao é, mas consigo, pelo menos, tirar tudo do campo visual dele e dos espacos comuns.... Ainda que chegue atrasada na aula ou, algumas vezes, perca o meu trem.
Agora o que tem me deixado realmente irritada é a desculpa: mas eu chego tao tarde em casa. Desde que meu curso universitário comecou, saímos juntos pela manha e eu chego depois dele, já que tenho que trabalhar no fim da tarde. Pois é: NÓS chegamos tarde em casa, eu ainda mais tarde... ainda assim, me levanto as seis, corro para organizar minhas coisas e dar uma ajeitadinha aqui e ali, programar a máquina de lavar roupa, programar a máquina de lavar louca ( o que significa que quando chego em casa já tenho trabalho me esperando), dar uma aspiradinha ou uma tiradinha de pó antes de sair, levar o lixo quando saio... Enfim, e nao simplesmente usar o meu umbigo como desculpa.
É por essas outras que entendo pessoas que se tornam amargas e solitárias... Que vontade de morar sozinha! E que falta de vontade de conviver com pessoas que nao tem a mínima sensibilidade para o "outro". Vai ficando cada vez mais difícil ser flexível, por que o esforco que se faz para respeitar o próximo e o seu espaco parece ser proporcional ao esforco que os outros nao fazem pelo seu. No fim, somos gente velha e chata quando pedimos silêncio na BIBLIOTECA, ou quando dizemos a um fumante que ele está enconstado na lata de lixo... Ou somos feministas amargas quando tentamos dividir com nossos companheiros o trabalho da casa que pertence aos DOIS, já que a carga de trabalho do homem e da mulher no século 21 é igual.
Enfim, tem horas que eu gostaria de desaparecer, porque com diz o velho ditado: OS INCOMODADOS QUE SE MUDEM.
O primeiro sinal desse egoísmo-humano é a incapacidade de entender que o espaco ocupado, entenda-se ruas, pontos de onibus, bares, etc., é dividido: também ocupado por outros seres humanos. Consequentemente, nem sempre todos dividem os mesmos gostos musicais, alimentares e vícios.
Um bom exemplo é a revolta geral que a proibicao do cigarro em lugares públicos tem causado! Por que meu santo, eu tenho que fumar com os outros? É uma questao física, o fumante nao pode controlar a fumacinha maligna que sai da bituca do cigarro, nao adianta pedir para ela ficar pertinho dele e nao penetrar as narinas do vizinho... Entao, o jeito é entender que a fumaca vai ter que ser produzida em lugares isolados, ponto. Outra razao é o maldito costume que TODO fumante tem - agora usando uma generalizao facilmente comprovada ao se observar um deles - de jogar as bitucas no CHAO em QUALQUER LUGAR onde eles tenham terminado ou tenham que interromper o processo "fumatório". Falta de senso, falta de educacao, sei lá.
A outra coisa que me irrita - e sempre me irritou desde os velhos tempos de convivência com amigos em pequenso espacos, como o CRUSP - é a utilizacao de desculpas para se esquivar da manutencao do espaco comum. O espaco comum é sempre deixado para depois, porque existem coisas pessoais que sao priorizadas - outra generalizacao muito facilmente comprovada. E as desculpas! Elas sao o maior sinal do egocentrismo e da falta da percepcao do outro. Em moradias estudantis, um estudante sempre deixa de fazer sua parte por que tem que estudar, tem um monte de coisa para estudar... E os outros estudantes que moram com ele e que tem um monte de coisas para estudar e que, ainda assim, entendem que as outras pessoas que dividem o espaco com ele nao tem necessariamente que arcar com as consequências da sua sujeira e das suas atividades.
E, agora, que moro com o meu namorado, vejo que esse tipo de atitude nao é exclusividade dos moradores de repúblicas. Tenho trabalhado duramente para conter o meu maior defeito: a desorganizacao. Afinal, ele nao tem nada a ver com o fato de que eu nao consigo usar uma coisa e devolvê-la ao seu lugar e com a consequência desse fato: montanhas de coisas pelo chao, pelo guardaroupa, pelas mesas. Enfim, fácil nao é, mas consigo, pelo menos, tirar tudo do campo visual dele e dos espacos comuns.... Ainda que chegue atrasada na aula ou, algumas vezes, perca o meu trem.
Agora o que tem me deixado realmente irritada é a desculpa: mas eu chego tao tarde em casa. Desde que meu curso universitário comecou, saímos juntos pela manha e eu chego depois dele, já que tenho que trabalhar no fim da tarde. Pois é: NÓS chegamos tarde em casa, eu ainda mais tarde... ainda assim, me levanto as seis, corro para organizar minhas coisas e dar uma ajeitadinha aqui e ali, programar a máquina de lavar roupa, programar a máquina de lavar louca ( o que significa que quando chego em casa já tenho trabalho me esperando), dar uma aspiradinha ou uma tiradinha de pó antes de sair, levar o lixo quando saio... Enfim, e nao simplesmente usar o meu umbigo como desculpa.
É por essas outras que entendo pessoas que se tornam amargas e solitárias... Que vontade de morar sozinha! E que falta de vontade de conviver com pessoas que nao tem a mínima sensibilidade para o "outro". Vai ficando cada vez mais difícil ser flexível, por que o esforco que se faz para respeitar o próximo e o seu espaco parece ser proporcional ao esforco que os outros nao fazem pelo seu. No fim, somos gente velha e chata quando pedimos silêncio na BIBLIOTECA, ou quando dizemos a um fumante que ele está enconstado na lata de lixo... Ou somos feministas amargas quando tentamos dividir com nossos companheiros o trabalho da casa que pertence aos DOIS, já que a carga de trabalho do homem e da mulher no século 21 é igual.
Enfim, tem horas que eu gostaria de desaparecer, porque com diz o velho ditado: OS INCOMODADOS QUE SE MUDEM.
18 agosto, 2008
"Será que sou eu?"
Quantas vezes na vida é inevitável perceber que alguém com quem você convive cotidianamente, que considera um amigo ou alguém próximo é muito mais nocivo para sua vida do que benefíco? E começar a perceber que o indíviduo é totalmente inconsistente, chegando beirar a insanidade.
Mas tenho uma paciência de jó e demoro muito para constatar que alguém é de fato o ó-do-borogodó, ou seja, uma merda e que eu devia ter saido correndo logo quando a desconfiança apontou. O que demora quase sempre seis meses ou até um ano para acontecer.
Devido a esse paradoxo eu sempre me pergunto: - Será que sou eu?
Talvez eu tenha uma personalidade confusa, um tanto quanto depressiva e canalha, incapaz de ser grata às pessoas pelo pouco que fizeram por mim.
Eu acreditdo que somos todos essecialmente egoístas - eu inclusive. Muitos não por maldade, é um mecanismo de defesa, é a lei da selva: "Se correr o bixo pega, se ficar o bixo come..."
Mas existem pessoas que de tão egoístas, passam a ser insuportáveis... E elas são egoístas em todos os sentidos do ego; só pensam em si, pensam que as próprias idéias são melhores do que a dos outros, acham que fizeram tudo na vida melhor do que todo mundo e que todo mundo deveria fazer tudo na vida como elas fizeram.
E são essas a razão da minha maior revolta. Não consigo evitar e sinto asco de pessoas assim. Demoro muito para determinar que esse ou aquele pertencem a essa categoria. Prefiro acreditar que não, acreditar que elas não fazem por mal.
Não gosto de julgar. Não gosto de categorizar.
Então pergunto de novo: - Será que sou eu?
Será que sou eu tentando encontrar defeitos na tal pessoa, por ter me irritado em algum momento e, como toda criança mimada a não ter seus desejos realizados, estou batendo o pé e criando confusão.
Será que sou eu a egoísta-egocêntrica? E já que a pessoa não quer jogar o meu jogo, prefiro desacartá-la, desmoralizá-la?
Será que sou eu? Será que a maldade tem raízes tão inconscientes? Por que se sou eu, não faço isso por maldade... Quando dou por mim, o asco que sinto do fulano é tão grande, que fica difícil falar, olhar, suportar. Aí, então, preciso de distância, preciso que a pessoa suma.
Tento ser auto-crítica e direcionar os julgamente primeiramente a mim.
Mas mesmo assim, essas pessoas se tornam um pesadelo na minha vida.
Por que elas não deixam os outros quietos? Por que elas pensam que as outras pessoas são imaturas, são inocentes, são bonecos nas mãos delas? Por que elas batem no peito para mostrar que são melhores, mais inteligentes, mais experientes...
Por que elas me fazem sentir tão insignificante, tão chucra?
E eu ainda me pergunto: - Será que sou eu?
Mas tenho uma paciência de jó e demoro muito para constatar que alguém é de fato o ó-do-borogodó, ou seja, uma merda e que eu devia ter saido correndo logo quando a desconfiança apontou. O que demora quase sempre seis meses ou até um ano para acontecer.
Devido a esse paradoxo eu sempre me pergunto: - Será que sou eu?
Talvez eu tenha uma personalidade confusa, um tanto quanto depressiva e canalha, incapaz de ser grata às pessoas pelo pouco que fizeram por mim.
Eu acreditdo que somos todos essecialmente egoístas - eu inclusive. Muitos não por maldade, é um mecanismo de defesa, é a lei da selva: "Se correr o bixo pega, se ficar o bixo come..."
Mas existem pessoas que de tão egoístas, passam a ser insuportáveis... E elas são egoístas em todos os sentidos do ego; só pensam em si, pensam que as próprias idéias são melhores do que a dos outros, acham que fizeram tudo na vida melhor do que todo mundo e que todo mundo deveria fazer tudo na vida como elas fizeram.
E são essas a razão da minha maior revolta. Não consigo evitar e sinto asco de pessoas assim. Demoro muito para determinar que esse ou aquele pertencem a essa categoria. Prefiro acreditar que não, acreditar que elas não fazem por mal.
Não gosto de julgar. Não gosto de categorizar.
Então pergunto de novo: - Será que sou eu?
Será que sou eu tentando encontrar defeitos na tal pessoa, por ter me irritado em algum momento e, como toda criança mimada a não ter seus desejos realizados, estou batendo o pé e criando confusão.
Será que sou eu a egoísta-egocêntrica? E já que a pessoa não quer jogar o meu jogo, prefiro desacartá-la, desmoralizá-la?
Será que sou eu? Será que a maldade tem raízes tão inconscientes? Por que se sou eu, não faço isso por maldade... Quando dou por mim, o asco que sinto do fulano é tão grande, que fica difícil falar, olhar, suportar. Aí, então, preciso de distância, preciso que a pessoa suma.
Tento ser auto-crítica e direcionar os julgamente primeiramente a mim.
Mas mesmo assim, essas pessoas se tornam um pesadelo na minha vida.
Por que elas não deixam os outros quietos? Por que elas pensam que as outras pessoas são imaturas, são inocentes, são bonecos nas mãos delas? Por que elas batem no peito para mostrar que são melhores, mais inteligentes, mais experientes...
Por que elas me fazem sentir tão insignificante, tão chucra?
E eu ainda me pergunto: - Será que sou eu?
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